A
instalação da Mercedes Benz na Argentina está estreitamente
ligada ao dinâmico e constante desenvolvimento industrial e agrário
do país no período de pós-guerra. Porém esse
desenvolvimento não era acompanhado por uma adequada infra-estrutura
de transporte, o parque automotriz de veículos de carga e passageiros
era velho e obsoleto e o transporte ferroviário não chegava
a satisfazer a crescente demanda. Consciente desta realidade, a Mercedes
Benz decide se radicar na Argentina. Em 6 de setembro de 1951 é
fundada a Mercedes-Benz Argentina como Sociedade de Responsabilidade Limitada.
A Primeira Diretoria da Sociedade foi constituída pelos Sres. Jorge
Antonio, Atilio Gómez, Germán Timmermann e Cesar Rubín,
atuando como Síndico o Dr. Roig.
Primeira
planta Mercedes Benz fora da Alemanha
No ano seguinte,
começa, na fábrica San Martín, a montagem SKD de
Caminhões L3500, com motor OM 312 de 90CV e depois o tipo L 6600
com motor OM 315. Além disso, começa a montagem SKD dos
primeiros táxis 170 SD e logo outras versões do mesmo
automóvel. Também começa a montagem do modelo 170
D para kombi, pick-up e caixa de carga.
A MBA se transforma em Sociedade Anônima. São adquiridos
os terrenos no km 3, 43.5, González Catán, com algumas
máquinas de chapeamento e manutenção, onde é
construída a primeira fábrica de produção
integrada da Mercedes Benz fora da Alemanha. A fábrica contava
com uma superfície coberta de 85000 metros quadrados e uma capacidade
de produção de 600 unidades mensais destinadas a abastecer
o mercado de carga e passageiros. Nesse mesmo ano começa aí
a planificação das linhas para a fabricação
e montagem de unidades 3500, 4500 e 6600. Começa a montagem do
ônibus LO 3500 e do caminhão L 5400.
Em 1954 é inaugurada a Casa Central da Mercedes Benz Argentina,
na Capital Federal, com a presença do chanceler alemão
Ludwig Erhard, entre outras personalidades. Começa a montagem
do caminhão L 6600. Um ano mais tarde começam as obras
de construção da fábrica a um ritmo extraordinário.
Foi edificada grande parte de sua estrutura e instalou-se a produção
de caixas de velocidades. Começa a montagem do ônibus OP
3500. No fim desse ano, as mudanças políticas do país
afetam diretamente à empresa, que sofre a intervenção
do governo militar da “Revolução Libertadora".
As obras são paralizadas.
Em julho de 1956, a fábrica de San Martín fecha, concentrando-se
toda a produção na fábrica de González Catán.
Em 1958 suspende-se a intervenção da empresa e é
designada uma nova Diretoria. No ano seguinte finalizam as obras de
construção da Fábrica II. Começa a produção
dos modelos de caminhões L311, L 312 e os ônibus LO 311
e LO 312.
Novos
modelos
A década
de 60 começa com mudanças administrativas na empresa que
passa às mãos da Daimler-Benz AG. Dois anos mais tarde,
o motor OM 321 é industrializado e em 1963 é produzida
a unidade Mercedes-Benz N° 10.000, tipo L 312 fabricada no país.
As atividades da empresa, também se extendem ao âmbito
da educação com a inauguração da Escola
N° 106, anexa à fábrica, cujo funcionamento e direção
foi posto a disposição do Ministério de Educação
da Província de Buenos Aires. Em 1965 começa a montagem
do modelo L 1112 com uma nova boléia de capó curto, aumento
da potência do motor de 95 a 120 HP e montagem do eixo traseiro
de duas velocidades, reforçado. Essa linha é ampliada
em 1967 com o lançamento do modelo LA 1112, com tração
nas quatro rodas.
Começa
a fabricação em série do caminhão modelo L
1114 com motor de injeção direta, potência 140 HP,
equipado com motor OM 352. Começa a fabricação do
ônibus de média distância O 120 com plataforma autoportante
e caminhões modelo L 911.
Em 1968 os ônibus O 120 são substituídos pelo tipo
O 140 com motor de 130 CV. No ano seguinte é lançado ao
mercado o caminhão leve L 608 D com motor OM 314 e uma potência
de 85 CV. Este veículo com boléia de design frontal era
ágil e versátil para o meio urbano e seu chassi se mostrava
apto para diversas aplicações desde o transporte de cargas
ao de passageiros. Outra novidade do ano foi provocada pelo lançamento
do Unimog com diferentes opções de motor. Seu inovador sistema
de transmissão permitia que ele se adaptasse a diversas condições
de marcha em vários terrenos, tendo sido muito utilizado pelo Exército
Argentino.
Em 1971, começa a ser produzida a Pick-up 220 D. Vinha equipada
com um motor diesel de 65 HP e oferecia uma capacidade de carga de 650
kilos. Em 1972 é fabricado o chassi para ônibus com distância
entre eixos de 5,17 metros. É lançado em 1974 o o caminhão
semi-pesado L 1517 com motor sobrealimentado OM 352 A com potência
de 156 CV e um novo eixo traseiro de 2 velocidades Mercedes-Benz. Direção
hidráulica e caixa de velocidades reforçada. Nesse mesmo
ano, Juan Manuel Fangio é nominado Presidente Honorário
da Mercedes-Benz Argentina, cargo que desempenha até sua morte
em 1995. No ano seguinte é fabricado o modelo de caminhão
médio porte L 914.
Em 1977 é iniciada a fabricação em série de
chassis para ônibus de curta e longa distância com direção
hidráulica.
Começa a ser realizado o caminhão médio porte L 1514,
o ônibus LO 914 e o modelo de ônibus de longa distância
O 170, como sucessor do O 140 com motor sobrealimentado OM 352 A com 156
CV e eixos e suspensão reforçados. Além disso, na
noite de 30 de novembro, ocorre um incêndio na Fábrica II
que ocasiona perdas de aproximadamente 8.000 metros quadrados nos porões.
Apesar da gravidade do acidente que afetou, entre outros a linha de montagem,
os bancos de prova de motores e a zona de tapeçaria, a Mercedes-Benz
Argentina conseguiu em apenas duas semanas de intenso trabalho retomar
as atividades. No ano seguinte a linha de caminhões recebe melhorias
com a introdução da boléia com teto elevado. Em 1979
começa a fabricação do chassi para ônibus,
modelo frontal, OC 1214. Tem início a produção do
modelo L 1521 com motor OM 355/5 com 5 cilindros e uma potência
de 192 CV, caixa de velocidades ZF e caixa multiplicadora GV-80. Nova
cabine nos modelos 1517 e 1521 e com caixa G3/60 para o L 1517. Inauguração
da fábrica reconstruída, com uma nova linha de montagem,
nova linha de tapeçaria, nova sala de medição e novo
depósito de materiais efetuada em 1 de setembro.
Líder
absoluto no transporte público
Em 1980, as melhorias
incorporadas ao caminhão L 1517, entre elas o motor de 160 CV,
permitem a modificação do nome do modelo, que passa a
ser L 1518. Na Fábrica II começam a funcionar os novos
bancos de prova de motores. No ano seguinte é produzido o ônibus
de longa distância OH 1419 e em 1982 é construído
o primeiro ônibus do país propulsado com Gás Natural
Comprimido (GNC) e é lançado ao mercado seus dois novos
modelos: o OF 1114 e o OF 1214. São inauguradas as novas instalações
do serviço médico em González Catán, com
uma superfície de 640 metros quadrados. É apresentada
a nova linha de veículos para transporte urbano de passageiros,
LO 1114 com caixa automática; o novo chassi frontal OF 114, destinado
à exportação, e os chassis de ônibus com
motor traseiro OH 1314, com e sem caixa automática.
Início
da produção em série do LO 1114 com caixa automática
e o OF 1114 para o mercado externo. É incorporado o sistema de
freio de ar Mercedes-Benz nos modelos LO 1114. Em 1987, a Mercedes-Benz
Argentina revoluciona o transporte público de passageiros ao lançar
a nova linha de ônibus frontais com motor traseiro (os "OH"),
que substituem os clássicos ônibus com tromba e motor dianteiro.
É celebrada a fabricação do ônibus Nº
50.000 em sua fábrica de González Catán, província
de Buenos Aires. A aceitação da marca no mercado de ônibus
urbanos é tamanha que permite chegar a 93% de participação.
A
fução
com Chrysler
Em
1993 a Mercedes-Benz Argentina decide transformar a fábrica de
González Catán em um centro de alta tecnologia para a fabricação
de utilitários e ônibus. Concluem em 1996 as obras de remodelação
da fábrica de González Catán, batizando-a como Centro
Industrial Juan Manuel Fangio, para a produção do utilitário
Sprinter e de ônibus urbanos, com um investimento de U$S 100 milhões.
No ano seguinte é apresentado o ônibus com piso rebaixado.
Em 6 de maio de 1997 é assinado o contrato no qual se define a
união entre a Daimler-Benz AG e a corporação Chrysler.
Em 18 de setembro, 99,9% dos acionistas votaram a favor da fusão
para constituir a DaimlerChrysler AG. Em 3 de maio de 2000 a Mercedes-Benz
Argentina se fusiona com a Chrysler Argentina formando a DaimlerChrysler
Argentina S.A. Em 20 de novembro desse mesmo ano sai da linha de montagem
a unidade 50.000 do utilitário Sprinter. No ano seguinte anuncia-se
a produção do Sprinter com volante na dereita a ser exportado
aos mercados da Austrália, África do Sul e Nova Zelândia.
O
investimento realizado para a operação é de U$S 10
milhões. Parte do pessoal recebeu capacitação na
fábrica de Dusseldorf, Alemanha. Em 24 de agosto parte do Porto
de Zárate, com 240 unidades Sprinter, o primeiro embarque à
Austrália e África do Sul. Em um segundo envio, saíram
veículos para a Nova Zelândia. Em total foram exportados
1.500 Sprinter com volante à direita. No dia 6 de setembro completaram-se
50 anos da produção da Mercedes-Benz na Argentina.